quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CINTO DE INUTILIDADES

Quando eu era menino assistia a um programa de desenhos que tinha na abertura uma música dessas grudentas. A letra fazia referência a super-heróis antigos e seus cintos de inutilidades.  Dia desses, eu estava rememorando esse período e me veio à mente que estamos cada vez mais a encher nosso cinto de coisas inúteis. E quando penso em cinto numa conotação figurativa, estou me referindo a nossas gavetas, nossas estantes, nossos armários, nossos depósitos, nossos quartos da bagunça, nossas vidas. Acumulamos a cada dia muitas coisas desnecessárias.  Não percebemos que muitas vezes somos induzidos a um consumo exagerado de bens que não têm serventia para nós e nem nossa família. Não é raro termos, celulares com no mínimo  dois chips, tablets, palms, notes, vários pares de sapatos, roupas que usamos uma única vez e esquecemos nas gavetas, livros que compramos e nunca lemos, enfim, coisas que nessas quantidades são inúteis pra gente.  E tudo isso para fazer sobreviver um sistema que está em crise desde o seu surgimento. Sua necessidade de lucro e dinheiro é infindável e que necessita produzir cada vez mais e vender cada vez mais.   Não é à toa que as coisas assumem características de descartáveis. Se comprarmos um bem qualquer hoje, em seis meses, no máximo um ano, estaremos sendo motivados a adquirir outro mais moderno, de cor diferente, com uma tecla a mais, e às vezes, ainda nem terminamos de pagar o que está fora de moda e obsoleto.  Imaginem os recursos que a Natureza produz para manter esse sistema falido. Quanto doe recursos naturais são empregado para produzir essa imensa infinidade de bens descartáveis, e o pior, quando descartados, onde são depositados? São números astronômicos com certeza  Então vamos pensar um pouco antes quando formos tentados a trocar de celular, ou a comprar um sapato novo, por mais tentador que possa ser.  Assim, esvaziamos nosso cinto de inutilidades, nosso bolso agradece e o meio ambiente mais ainda.