sábado, 17 de novembro de 2012

O Grito


O Grito
Sérgio Amaral, outubro de 2002.

Meu ser contido é carcaça
Meu coração clama, inaudito
Sofredor de ação sem reação, em mordaça
É sobras, liquefeito em granito.

Grito de dor, um grito abafado
Palavras que não sei falar
Que não um brado, atrasado
Se já não consigo entalar.

Estou há muito, só calado
Acostumado ao cadeado, sem delito
Que ouçam de um desesperado
O grito de um coração aflito.

Não sei até quando consigo
Conter esse grito em meu peito
Mas sei que se não for ouvido
Putrefeito vomito.