quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Madona


Madona da Tristeza

Quando te escuto e te olho reverente
E sinto a tua graça triste e bela
De ave medrosa, tímida, singela,
Fico a cismar enternecidamente.


Tua voz, teu olhar, teu ar dolente
Toda a delicadeza ideal revela
E de sonhos e lágrimas estrela
O meu ser comovido e penitente.


Com que mágoa te adoro e te contemplo,
Ó da Piedade soberano exemplo,
Flor divina e secreta da Beleza.


Os meus soluços enchem os espaços
Quando te aperto nos estreitos braços,
solitária madona da Tristeza!



Últimos Sonetos, de Cruz e Sousa (1862 - 1898).